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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Novas Gerações. As mudanças realmente são necessárias?

Todo produto indústrial de sucesso ou não tem um ciclo de vida útil. Quando este produto foi bem vendido, criou uma legião de consumidores que se identificam com as suas caracteristicas é bem visto pela crítica e é um sucesso de vendas, é normal que os fabricantes queiram extender o seu tempo no mercado. Ai chegam as novas gerações.
Em um campo tão competitivo quanto o da indústria automotiva ficar parado no tempo pode ser fatal e por este motivo os seus produtos precisam ser renovados constantemente para poder manter o poder de atração sobre os consumidores. Um automóvel é um tipo de produto bem diferente de um ferro de passar roupas, um liquidificador ou mesmo um brinquedo. Ele além de realizar a sua função de transporte, deve trazer outros atributos ao seu proprietário. Um carro precisa ser bonito, porque se não for bonito não venderá bem (Vejam o Logan, é um ótimo carro pelo preço que é, mas possui um desing muito peculiar [para não dizer feio] e por isso não esta entre os top 10.) precisa dar status, mesmo que seja popular, tem que ser resistênte e possuir fácil manutenção. Esses são alguns dos pequenos atributos que um produto automotivo precisa ter. São variáveis distintas e que são complexas de serem ajustadas em um mesmo produto. Geralmente não conseguem, um produto que é muito bom em um campo, deixa a desejar em outro campo. Vejam o exemplo do New Civic. Sucesso absoluto de vendas ! Fizeram um Sedan que atende desde o playboy até o pai de familia bem sucedido já em fim de carreira. Porém esqueceram de colocar porta malas no carro, sua suspensão é muito rigida para os que tem sangue norte americano em suas veias e são admiradores de carros como Opala e Landau, e ele em suas versões mais básicas não tem itens comuns até mesmo em um simples Palio ELX. Ele é bem sucedido, mas com certeza deixa de vender mais por causa dessas pequenas deficiências. Os concorrentes se aproveitam disso e por isso conseguem vender outros carros. Assim é o mercado, composto por maravilhosos produtos imperfeitos.
Quando uma nova geração de um veiculo é lançada os consumidores ficam anciosos esperando para ver as novas modificações. Todos querem saber se o mesmo melhorou, se os defeitos foram sanados, se o conforto melhorou, se suas novas linhas impressionaram os vizinhos e se ele será tão resistente quanto o modelo anterior. Porém os fabricantes tem exagerado de uma geração para a outra. Não estou reclamando da modernização dos automóveis, mas sim do exagero e acho que as fabricas estão dando tiros nos pés ao lançarem certos modelos. A própria indústria esta carregando um fardo que vai ficar maior a cada nova geração.
Os carros estão crescendo demais. Estão ficando luxuosos demais. Estão ficando com o design parecidos demais. As vezes compramos um carro porque achamos que o tamanho dele é perfeito para nossa necessidade. Se minha familia esta crescendo, o natural é eu comprar um carro maior, não a nova geração do meu carro antigo, que ficou maior. Essa obcessão por carros maiores tem levado nosso mercado a lançarem carros horriveis como Sandero e Logan. Plataformas esticadas apenas para ter como diferencial a seus concorrentes o espaço interno. Quando o carro não é esticado no plano horizontal, esticam no plano vertical como o tambem feio Fox, ou as minivans como Meriva, Idea, entre outras. As fabricas lançam uma nova geração de um carro X. Esse carro ficou muito grande e o consumidor ficou orfão de um modelo pequeno. Então tem que ser gasto todo o dinheiro que um novo projeto demanda para criar um carro menor. E assim as fabricas ficam vendendo um pouquinho de cada modelo, que na minha lógica é muito mais caro do que vender muito de apenas um modelo.
Vejam o caso da GM brasileira. Eles tinham ha 15 anos atrás apenas 3 sedans em linha. Um pequeno (Chevette) um médio (Monza) e um Grande (Õmega) Seus concorrentes tambem eram assim, e o mercado convivia com isso sem sentir necessidade de ter carros maiores. De uma hora para a outra a GM dobrou o número de sedans. Passamos a contar com um pequeno (Corsa Sedan) um Médio pequeno com tamanho de médio Grande (Astra Sedan), Um médio Grande do tamanho de um Médio pequeno moderno (Vectra B) e um Grande (Omega). Cada um roubando um pouquinho das vendas do outro. Esses carros todos devem ter custado caro para serem criados, fabricados, vendidos e ter toda a rede autorizada treinada para dar assitência. Agora a situação esta pior ! Temos 3 sedans pequenos, o Corsa Sedan, o Classic e o Prisma. Temos 2 sedans médios pequenos, o Astra Sedan, e o Vectra Sedan, que é a nova geração do astra, e nenhum sedan médio grande e nenhum grande. Tudo isso graças as novas gerações mal estudadas e reformuladas.
Vejo agora a Opel tendo que pensar em relançar o Opel Ascona para ocupar a Lacuna deixada entre o Insignia e o Astra. O Vectra cresceu demais desde então e agora deixou um buraco na sua linha. Isso já tinha acontecido com a VW. O passat cresceu demais, e abriu lugar para o Jetta, que já esta crescendo. Acredito que o Sedan do Golf VI será grande demais, e a VW terá que lançar um sedan menor. Eles tem o La Vida chines que é um Bora reformulado, mas não é uma formula aceitável na europa ocidental.
A VW tem uma linha que é uma das poucas bem reformuladas a cada geração. A linha Gol. Eles entendem que o consumidor brasileiro gosta do seu produto e faz de tudo para ele não perder a sua essencia. Imaginem se o novo Gol ficasse muito grande, e tivessem que lançar um carrinho mais barato ? Imaginem se nunca podessem tirar de linha o Gol GIV como acontece com a GM que sempre vendeu mais Classics do que novo Corsa ? É muito melhor vender somente uma linha de produtos do mesmo nicho do que duas linhas. É mais barato. É mais facil de atualizar, de manter a qualidade.
A GM teve que lançar o Celta, para poder lançar o novo Corsa aqui no Brasil. A Fiat manteve o Uno quando lançou o Palio em 1996 e nunca conseguiu tirar ele de linha, pois o Palio nunca atingiu a maturidade que o Uno conseguiu no mercado. O Palio é um carro de moda, e por isso precisa de tantas atualizações de carroceria. Parece uma modelo em fim de carreira, colocando botox toda semana para ver se consegue tirar algumas fotos novas. A Ford teve que promover o Ford KA a um automóvel comum para poder suprir a lacuna deixada pelo Fiesta Street, já que o Amazon ficou tambem muito crescido. Mas a VW sempre vendeu apenas GOL. Quando lançou outro carro pequeno, o Fox, ele tambem teve sucesso, mas com outro tipo de consumidor. Aquele que compra um carro por comprar. Aquele mesmo que compra um Palio a cada nova geração, pois é mais bonitinho. Quem compra um Gol compra porque ele é um Gol, pode ser bonito, como a versão "GIII" ou terrível como a "GIV", pode ser peladíssimo como as versões "Especial" e GIII city, as pessoas sempre comprarão.
Existe apenas um motivo para isso.
Um Gol nunca deixará de ser um Gol. Ele sempre terá tamanho parecido, mesmo que mude radicalmente o estilo. Ele sempre fará o que o seu antecessor faria, de uma maneira melhor. Ele não exige muita pompa, nem tamanho diferenciado. Não precisa ter o motor mais potente da categoria. Ele apenas é o mesmo carro desde 1980.
A VW perdeu a liderança na europa quando deixou o Golf muito caro na Versão V. Agora esta tentando retomar o controle com a geração VI.
Longevidade aos bons produtos !

1 comentário

Rosalvo Neto (Speed boy) disse...

Este blog é muito legal !! rsrs

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